Alagoas
Associação lidera inovação ambiental com modelo de crédito de carbono integral no Sertão de Alagoas
Iniciativa conta com o apoio do Sebrae e une preservação ambiental e geração de renda no Sertão

Por muito tempo, a caatinga era vista como um retrato de uma vegetação e de um solo que precisavam ser melhorados e adaptados para a produção agrícola tradicional. Visto como símbolo da seca e da escassez que precisava ser combatida, o bioma do Sertão alagoano guarda um forte ativo econômico, além de ser também um importante aliado no combate às mudanças climáticas: o crédito de carbono integral.
Desde 2022, a Associação dos Produtores de Crédito de Carbono Social do Bioma Caatinga reúne agricultores familiares, comunidades tradicionais e técnicos para desenvolver um modelo de crédito de carbono integral, buscando a valorização da biodiversidade local e geração de renda. A iniciativa conta com o apoio do Sebrae, parceira em ações de inovação e desenvolvimento sustentável.
O que é crédito de carbono e como ele é gerado?
O crédito de carbono é um ativo financeiro que representa a redução ou sequestro de dióxido de carbono, gás que atua diretamente sobre o efeito estufa. Cada tonelada do gás que deixa de ser emitida ou é capturada corresponde a um crédito.
Praticamente toda atividade humana emite carbono, enquanto a vegetação absorve esse mesmo carbono durante seu desenvolvimento. Segundo o presidente da Associação, Haroldo de Almeida, o mercado de crédito de carbono funciona como um sistema de compensação. Empresas, organizações e até mesmo eventos que geram emissões de gases de efeito estufa podem comprar esses créditos para compensar a pegada de carbono. A associação atua como emissora e vendedora desses títulos.
“Esse crédito é um ativo, é como se fosse um título que atesta que determinada área de vegetação absorveu uma quantidade específica de carbono em um período de tempo. Esse crédito, comprado por indústrias e outras organizações que emitem dióxido de carbono, é um benefício destinado a pessoas, empresas ou empreendimentos que provam ter sequestrado carbono por conta da vegetação nativa ou exótica, diminuindo a emissão do gás injetado na atmosfera”, declarou.
O ambientalista explica usando um exemplo prático: “Uma festa emite, em média, 10 toneladas de carbono durante a organização. Depois que é feito esse cálculo, os organizadores vão procurar dez títulos de crédito para compensar o que foi emitido durante o evento”, completou.
Associação privilegia diversidade e busca impacto social
Com menos de três anos de existência, a Associação dos Produtores de Crédito de Carbono Social do Bioma Caatinga conta com 108 associados, entre agricultores familiares, assentados, quilombolas e indígenas, além de professores e técnicos.
O grupo está desenvolvendo uma metodologia própria para medir a capacidade de absorção de carbono em áreas de vegetação da caatinga. Conforme os estudos, cada hectare preservado do bioma tem capacidade para absorver aproximadamente cinco toneladas de carbono por ano, gerando cinco créditos, que podem ser negociados no mercado. “A emissão desses títulos vai se tornar uma alternativa de renda e de valorização para os produtores rurais”, explica Haroldo.
O modelo de crédito de carbono integral é considerado inovador por unir preservação ambiental, inclusão social e valorização de comunidades tradicionais, e mostra que, ao invés de tentar alterar e combater as características do bioma, é possível conviver com ele de forma sustentável, avanço que se fortalece com o apoio do Sebrae.
“Esse mercado abre espaço para geração de renda, reflorestamento e certificação da madeira, além de estimular o engajamento socioambiental das comunidades”, afirma Fábio Rosa, gerente do Sebrae Regional Delmiro Gouveia.

Sebrae apoia a iniciativa que une inovação ambiental e desenvolvimento sustentável no Sertão alagoano.
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